sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

X-MAL DEUTSCHLAND



Um som marcante e inconfundível, um expoente da Neue Deutsche Welle, um pioneiro do gótico alemão e, principalmente, um grande nome do Post Punk mundial: Xmal Deutschland!

O grupo nasceu em 1980, em Hamburgo (Alemanha). O nome foi inspirado no livro homônimo de Rudolf Walter Leonhardt - um tratado sociopolítico da Alemanha dos anos 50.
A formação inicial contava exclusivamente com mulheres: Anja Huwe (vocal), Manuela Rickers (guitarra), Fiona Sangster (teclados), Caro May (bateria) e Rita Simon (baixo). Em comum, a raiva, a resignação e a sede de expressão típicas daquele anos, além da inexperiência musical e os gostos semelhantes.
"Tudo começou em 1980 porque todos nossos amigos estavam em bandas punk." - disse Anja em uma entrevista para o site Post-Punk.com. Naqueles dias, Anja dividia um apartamento na Alemanha com uma multidão que incluía membros do Einstürzende Neubauten e a notória Christiane F., cada um deles buscando a sua identidade ou sua relevância sociocultural.

O primeiro single "Schwarze Welt" (Mundo Negro), foi lançado em 1981 pela pequena gravadora alemã ZickZack Records. São três faixas matadoras, com um som enérgico, intenso e uma atmosfera opressiva cheia de paixão e desespero. O uso de sintetizadores dá um toque eletrônico ao Post Punk do grupo e a emblemática voz de Anja funciona como um instrumento que amarra todos os outros.

O clássico primeiro registro: Schwarze Welt!


A formação inicial, só com garotas.
Manuela Rickers, Caro, Rita, Fiona e, agachada, Anja.

Pouco depois, a baixista Rita Simon deixaria a banda, sendo substituída por Wolfgang Ellerbrock.
A baterista Caro May também sairia para a entrada de Manuela Zwingmann.

Ignorados na Alemanha, o grupo - mesmo cantando em alemão - despertou muita atenção na Inglaterra.
O lançamento do primeiro EP "Incubus Succubus" (1982), impulsionou ainda mais o grupo. A faixa Incubus Succubus, com sua temática mística e obscura (Incubus e Succubus são demônios que durante a noite se alimentam sexualmente da energia dos humanos) tornou-se um hit do underground e firmou a banda como uma das mais adoradas pelo emergente publico gótico. 


Wolfgang, Manuela Rickers, Manuela Zwingmann, Anja e Fiona.


grupo fez uma impressionante turnê com o Cocteau Twins e logo foi procurado por muitas gravadoras, mas acabou fechando com a 4AD - o emblemático selo que lançou vários nomes do Post Punk. 



Seu tormento é meu desejo
Meu amor é sua morte
A noite quando você dorme eu estou vivo
Meu berço é a sua sepultura
Eu irei te matar
(Qual)

Em 1983, foi lançado o aguardado primeiro álbum: Fetisch. Apresentando faixas inesquecíveis como QualYoung Man, Orient, Hand In Hand e Boomerang, é mais um clássico imprescindível do Post Punk. O contraste entre a fúria e a agressividade das musicas e as letras soturnas definiram o X-Mal como um dos grandes nomes do moderno som gótico. No mesmo ano foi lançado também o single de Qual, em uma maravilhosa nova versão, estendida e dançante; e também o single de Incubus Succubus II - uma nova versão da musica que se tornaria presença obrigatória até os dias de hoje em qualquer festa gótica.

A baterista Manuela Zwingmann deixaria a banda depois de um ano, sendo substituída por Peter Bellendir. Ela chegaria a participar brevemente do All About Eve.
A formação com Anja Huwe, Manuela Rickers, Fiona Sangster, Wolfgang e Peter seria a mais duradoura:





Vida e Morte
Sol e Lua.
Frio e Calor
Negro e vermelho
Corpo e Alma
Amor e Caos
Desperta novas vidas para minha tarefa
(Incubus Succubus II)


O segundo álbum, Tocsin, foi lançado em 1984. Com os destaques Mondlicht, Eiland, Augen-Blick, Nachtschatten e a finalmente lançada em um álbum Incubus Succubus II, Tocsin mantém a qualidade do trabalho anterior, mas pode-se notar uma produção mais refinada e uma atmosfera gótica mais saliente. A essa altura, a vocalista Anja "disputava" com Siouxsie o posto de "rainha gótica", tamanha a popularidade do X-Mal. Esse disco também rendeu a primeira turnê do X-Mal pela Europa e América. 



Por tempo determinado
Espetacular
E nas avenidas
 eles celebram o jogo
Sobre a devoção ou a morte
(Matador)


Nessa época, inúmeras tentativas foram feitas para seduzir Anja a seguir carreira solo. "Eu sou a vocalista, eu sou apenas parte da banda. Sem a banda eu não sou ninguém." Um fato curioso é que Anja chegou a ser procurada para ser uma possível substituta de Bjork nos Sugarcubes. Então, por discordâncias com a 4AD, o grupo deixou a gravadora e criou seu próprio selo: XILE. O single Matador, lançado em 1986, se tornou o maior sucesso da banda, alcançando o topo das paradas alternativas.

Em 1987, lançam o terceiro álbum Viva. Talvez o álbum de maior sucesso do grupo, é um disco menos furioso e caótico que os álbuns anteriores (mas não menos melancólico), apresentando elementos da New Wave e com muitas composições em inglês. Aqui, o X-Mal encontrou um meio termo entre o underground e o comercial, de uma forma que não prejudicou a essência do grupo. Destaque para Matador, Eisengrau, Morning (um poema musicado de Emily Dickinson), Manchmal e Polarlicht

Mas após a turnê de divulgação do álbum, Manuela, Fiona e Peter deixaram o grupo. Essa ruptura seria o início do fim do velho X-Mal...


A vida é uma selva
Então todo mundo sabe
Nós ganhamos e perdemos
Assim que funciona
É apenas um jogo - sempre igual
Nós lutamos por amor e lutamos em vão
Mas o que é o inferno - alguém pode dizer?
(When Devils Come)


O álbum Devils foi lançado em 1989, pela gigante Polygram. Rendida as pressões, Anja agora cantava todas as canções em inglês. Musicalmente, o grupo se afastava do Post Punk e do Gothic Rock dos primeiros trabalhos e ficava mais suave, as vezes ensolarado, se aproximando de um Rock mais comercial. Apesar de não ser o nosso estilo preferido, ainda é possível destacar algumas faixas inspiradas como When Devils Come, Dreamhouse e I Should Have Known. Mas esse seria o ultimo disco do X-Mal. Jogados aos cruéis ditames e exigências do mainstream, o grupo não sobreviveria por muito tempo.



E assim, um grupo que falava tão bem o espírito da Guerra Fria, expressando todo o medo, a angustia e a raiva inerentes ao seu tempo, cairia melancolicamente junto com o Muro de Berlim. Mas, tempos depois, ficariam eternizados no underground, como um dos grandes nomes do Post Punk e do Gothic Rock.



Matéria: Guilherme Freon
4AD - Site
Gothic Rock Black Book - Livro
Post-Punk.com - Site
Wikipedia - Site
Arquivo Pessoal Freon



ÁLBUNS DISPONÍVEIS:




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

CABINE C


Uma joia rara do Post Punk nacional. Adorado pelos darks de ontem, pelos góticos de hoje e pelos mais atentos apreciadores de Post Punk, o Cabine C é considerado um dos grandes nomes da musica dark brasileira e um dos pioneiros da Coldwave Sul-Americana.


Ciro Pessoa - o criado do Cabine C - foi um também um dos fundadores do Titãs, grupo no qual permaneceu até momentos antes de seu primeiro lançamento oficial, em 1984. São dele algumas composições clássicas dos Titãs, como Sonífera Ilha e Homem Primata. 
Ciro decidiu sair do Titãs pois não gostava dos rumos "Tropicalistas" e "Reggae" que a banda estava seguindo. Sua intenção era criar um grupo mais "Rock" e assim, em 1984, nasceu o Cabine C.





A formação inicial contava com a esposa de Ciro, Wania Forghieri (teclados), Edgard Scandurra (guitarra), Charles Gavin (bateria) e Ricardo Gaspa (baixo), que havia substituído Sandra Coutinho - que passaria a se dedicar unicamente ao grupo Mercenárias.

Essa formação chegou a gravar uma demotape, apresentando uma sonoridade Post Punk com acentos Pop. É um item raríssimo, com faixas nunca lançadas oficialmente como "O Lado Bom da Bomba", "Inundação de Amor" (depois regravada pelo Ira) e "Fim de Serafim" (poema musicado de Oswald de Andrade). 

Com músicos de reconhecido talento, o grupo fez alguns shows considerados inesquecíveis em São Paulo e começou a ganhar certa notoriedade no circuito alternativo do município.

O problema era que Scandurra também tocava no Ira, uma banda que estava explodindo no cenário comercial. Sendo assim, provavelmente sofrendo alguma pressão, ele abandonou a "aventura underground" do Cabine C. Gaspa também saiu do grupo, convidado a também tocar no Ira. E Charles foi pro Titãs.

"O que acontece é que o Cabine C incomodava muito as outras bandas (...) Foi uma espécie de golpe mesmo" - explicou Ciro em uma entrevista ao programa Vitrola Verde.

A primeira formação do Cabine C: Gaspa, Scandurra, Wania, Ciro e Charles Gavin.


Após esse baque, o Cabine C ficou um bom tempo inativo, buscando uma reformulação. Após um longo hiato, a banda ressurgiu com sua formação definitiva: Ciro Pessoa (voz e guitarra), Wania Forghieri (teclados) e as novas integrantes Anna Ruth (baixo) e Marinella 7 (bateria). E o Post Punk do grupo assumiu de vez sua identidade: sombrio, em algum lugar entre o desespero e a delicadeza. 

A formação definitiva do Cabine C.



Ciro se inspirava em poetas como Edgar Allan Poe, Baudelaire e Arthur Rimbaud, para produzir uma poesia existencialista e desoladora. A sonoridade do grupo remetia a nomes como Siouxsie & The Banshees, X-Mal Deutschland, Cocteau Twins e a Coldwave francesa, mas com uma alma própria. Esses ingredientes, é claro, agradaram em cheio os darks da época e a banda logo ganhou essa "tag" - que, como muitas bandas do gênero, procuraram evitar.

"Somos um grupo que produz musicas sombrias porque a tristeza é um dos sentimentos mais ricos em beleza." - Ciro Pessoa para a Folha de SP.

"A melancolia é o mais legítimo dos tons poéticos." - Marinella 7 para a Folha de SP.


Ciro chegou a ser nomeado ídolo dark por um caderno cultural, pecha que relutou em aceitar - apesar de ser inegável que o Cabine C estava totalmente submerso nessa atmosfera.



Não demorou e o grupo ganhou muitos admiradores e se tornou um dos favoritos dos porões paulistanos. Assim, surgiu o convite da recém criada gravadora RPM Discos (criada pelo popular grupo RPM) para finalmente lançar um álbum do Cabine C. "Vamos ser jogados aos leões, não sabemos se vamos domá-los ou ser comidos" - disse Ciro na época para a revista Bizz.

Fósforos de Oxford (1987)


Fósforos de Oxford foi gravado em 1986 mas lançado somente em 1987. 
O nome do grupo (que remetia a cabine de um navio) e a variedade das canções, que pareciam aportar em vários locais, deram até um ar temático ao álbum. "(O disco) percorre um roteiro. Passa pelo Oriente Médio na música que dá título ao LP; Buenos Aires no tango Lapso de Tempo; ou Japão através de Jardim das Gueixas." - disse Ciro Pessoa para a Bizz. 
Do outro lado, haviam as fortes referências literárias presentes em todo repertório (Edgar Allan Poe e a literatura existencialista, principalmente), resultando em uma obra muito bem amarrada e marcante.

O disco abre com Pânico e Solidão, inspirada no livro "As aventuras de Arthur Gordon Pym", de Edgar Allan Poe. A letra, que também pode ser interpretada como uma métafora da inevitável decadência humana, é um resumo do espírito do disco e combina perfeitamente com a melodia rasgante e fúnebre.
Em seguida, Lapso de Tempo - influenciada pela marcação rítmica do Tango - segue a viagem rumo ao abismo, não perdoa e evoca o memento mori: "O tempo está passando".
Na sufocante Anos, entre X-Mal Deutschland e a Coldwave, sob gritos e ruídos, Ciro, Wania e Anna repetem uma unica frase, a atemporal e inevitável reflexão: "O que eu tenho feito todos esses anos?". 
O clima desesperador dá uma trégua 
com a suave e paradisíaca Jardim das Gueixas. Essa faixa conta com a participação de Akira S (Akira S & As Garotas que Erraram) no Stick, um estranho instrumento de cordas tocado por ambas as mãos. O timbre misterioso confere um clima oriental onírico à canção e quase chega a soar como o Shamisen (espécie de bandolim típico japonês). 
O lado A do álbum fecha com a faixa instrumental A Queda do Solar de Usher, baseada no conto homônimo de Edgar Allan Poe. Teclados lúgubres, guitarras ecoantes e a voz lírica de Marinella enaltecem o clima fantasmagórico do som.


O Lado B do disco abre com a potente Lágrimasuma cativante e enigmática canção de amor.
Na sequência, a instrumental Opus 2, transbordando melancolia em um ritmo cadenciado. 

A impecável
Tão Perto, é tão contagiante que se torna impossível não cantar junto alguns trechos desse relato ambíguo sobre o amor e a vida. Enérgica e dançante é também presença constante nas pistas que conseguem manter um olhar vivo sobre a produção dark nacional. Um dos destaques do álbum, foi também a unica que conseguiu um relançamento. Em 2005, foi remasterizada para a coletânea inglesa de Post-Punk: The Sexual Life of the Savages
A quase valsa Soldadas, é a canção mais crítica do álbum. Mas vai além de um discurso antibélico. Afinal: "A gerra somos nós dois / A guerra são eles três / A guerra está no falar / A guerra não se acaba".
Já a
 existencialista Neste Deserto - outro grande destaque - tem um clima desolador que nos remete a uma viagem solitária em paisagens áridas. Aqui, a sonoridade gótica é levada aos últimos limites, casando com a poesia inspiradamente niilista de Ciro: "Sei que te amo / Mas isso é pouco / Pode ser tudo / Mas tudo é nada". Pois é, nem o amor salva na dura viagem do Cabine C.
E o encerramento primoroso se dá com o instrumental delicioso de Fósforos de Oxford, de sabor árabe e lembrando momentos de Dead Can Dance.


O álbum, no geral, foi bem recebido pela crítica. O Post Punk sombrio e melancólico do grupo agradava principalmente porque soava autentico e se diferenciava das outras bandas do mercado.

Crítica na Folha de São Paulo.





Alguns cartazes de shows:




O fato é que o disco não vendeu como o esperado. Cerca de oito mil cópias foram vendidas, pouco para o alto investimento da incipiente gravadora que alçava vôos mais altos. Mas é importante observar que essas marcas foram alcançadas sem uma distribuição eficaz e sem nenhum esquema de divulgação, em um dos casos mais emblemáticos da industria fonográfica brasileira. A RPM Discos foi a falência logo apos essa presepada, gerando uma longa disputa judicial entre seus representantes e Ciro.


Esse estresse afetou o Cabine C, que começou a se desfazer. Marinella e Anna Ruth, deixaram o grupo. Dois argentinos chegaram a substituí-las por um tempo e Ciro se esforçava para lançar material novo. 

Quatro novas músicas chegaram a ser gravadas: "Acidentes", "Sábio Chinês", "Cotonetes Desconexos" e "Nossas Cabeças são Nossos Erros". Mas o segundo disco nunca saiu do papel.

Em uma entrevista, Ciro desabafou:

"A verdade é que foi ficando cada vez mais difícil fazer shows, sobreviver. Tudo se concentrava no Rio de Janeiro e lá se você não é do samba você é estrangeiro. E como a cultura carioca dominava (domina) a cidade de São Paulo, nem aqui éramos considerados brasileiros. Fomos nos cansando desta história ridícula, limitada e preconceituosa que é a música no Brasil e nossa resistência no underground foi chegando ao fim."


Com o fim do Cabine C, Ciro ainda se viu envolto em problemas com drogas, o que o fez se afastar da música por um tempo. Manteve carreira de escritor, escrevendo em diversas revistas e, anos mais tarde, seguiu carreira solo, onde tem dois álbum lançados: "No meio da chuva eu grito Help" (2003) e "Em Dia com a Rebeldia" (2010), ambos distantes da sonoridade do Cabine C, mas bons álbuns de Rock em meio ao marasmo musical da música comercial brasileira.




Matéria: Guilherme Freon
Bizz - Revista
Disco Furado - Blog
Folha de São Paulo - Jornal
O Estado de São Paulo - Jornal
Vitrola Verde - Programa

Arquivo Pessoal Freon


ÁLBUNS DISPONÍVEIS:








sábado, 5 de setembro de 2015

BAUHAUS


Um grupo seminal do Post-Punk. Adorado pelos darks e góticos, é uma banda que ultrapassa os limites de qualquer gênero musical, mas é essencial para entender toda a eferverscência criativa do Post Punk.
Formado em 1978, em Northampton, na Inglaterra, o grupo era composto por Daniel Ash (guitarra) - o mentor do projeto, Peter Murphy (vocal) e os irmãos David J (baixo) e Kevin Haskins (bateria).
O nome da banda faz referência ao revolucionário estilo de design (odiado pelos nazistas) lançado pelo arquiteto alemão Walter Gropius, em 1919 (aliás, o primeiro nome da banda foi 
Bauhaus 1919). Isso deu ao grupo um certo charme cult e uma misteriosa aura artística que também sugeria uma ligação com a decadência da Berlim da década de 1920. O movimento também era tido como um desenvolvimento do Expressionismo. O estilo Bauhaus era associado com os artistas expressionistas que fizeram a iluminação e os cenários de filmes de horror alemães, como "O Gabinete do Dr. Caligari" e "Nosferatu". E foi a estética desses filmes que ajudaram a formar a alma e a identidade do Bauhaus.



O grupo foi "acusado" pela imprensa musical de tentar ressuscitar o Glam Rock, com toda sua teatralidade e androginia. Os críticos também os viam como sombras pálidas de dois ícones considerados sagrados pelos jornalistas do rock britânico: Os clássicos de Bowie da década de 1970 e a explosão do Punk Rock. É claro que eles eram fortemente influenciados por David Bowie - a maioria das bandas do fim da década de 1970 e do início de 1980 tinham uma dívida criativa com Bowie - e pelo Punk Rock. Mas o Bauhaus agregou outros ingredientes variados e exóticos em sua alquimia sonora, criando uma infusão própria e unica.






Em 1979, eles lançaram o single "Bela Lugosi's Dead". Curiosamente, a capa original não traz uma cena de Drácula, e sim uma cena de "The Sorrows of Satan" (um filme mudo de 1925).

A faixa homônima - um tributo ao ator Bela Lugosi e sua interpretação de Drácula (1931) - é cheia de efeitos que simulam o som de asas de morcego batendo, traz um baixo sombriamente minimalista, microfonias de guitarra, uma bateria repetitiva e marcante e um vocal deliciosamente dramático. Assim é a canção em seus quase dez minutos: sombria e misteriosa. O cartão de visitas perfeito para o Bauhaus. A maioria dos góticos concorda que esse foi o primeiro rock gótico lançado. Um hino!
Após isso, o grupo assinou com a 4AD. Foi o primeiro grande lançamento da gravadora que depois se tornaria um dos selos mais elegantes daquele tempo, lançando nomes como Dead Can Dance, Cocteau Twins e Clan of Xymox. Em 1980, mais três singles foram lançados: "Dark Entries", "Terror Couple Kill Colonel" e "Telegram Sam". Mas o melhor ainda estava por vir, com o lançamento do primeiro álbum.


Um barril de pólvora incendiário, repleto de ritmos irregulares, letras ácidas e vocais descontrolados. 
Lançado em 1980,
"In The Flat Field", vai além do que o quarteto já havia apresentado em seus singles. Em suas 9 faixas, esse disco se mostra intenso, diversificado e coeso. Uma aula de simplicidade e crueza, sem soar banal. Destaque para os petardos: Double Dare e In The Flat Field; entre outras músicas marcantes como a contundente God In An Alcove, a enigmática Spy In The Cab, o tributo agonizante a Stigmata Martyr e o nervosismo crescente em Nerves. Sem duvidas, um disco essencial!



Em 1981, agora pela gravadora Beggars Banquet, foi lançado o segundo álbum: "Mask". Considerado por muitos o auge da banda, é também o álbum mais gótico da discografia do grupo. Apresenta um grupo mais maduro e um excelente repertório. As letras, dramáticas, também merecem destaque. Apesar de algumas faixas mais acessíveis, a atmosfera continua densa e o espírito criativo e artístico do Post Punk cada vez mais pulsante. Repleto de faixas antológicas como o réquiem das paixões trágicas Passion of Lovers e o hino deliciosamente obscuro Mask; além de outros destaques como a enérgica Hair of the Dog, a profunda Hollow Hills, o swing de Kick in the Eye e a contagiante The Man With The X-Ray Eyes. 



O vídeo clipe expressionista de Mask - em nossa opinião, o melhor do Bauhaus. Clássico!



Em "Sky's Gone Out", lançado em 1982, nota-se um trabalho diferente dos anteriores, mais eclético e ousado. Claramente, o grupo atingiu o seu pico experimental nesse álbum. Como disse um crítico muito sagaz: "Se o gótico e a psicodelia se casaram em algum matrimônio profano, essa seria a marcha nupcial". Destaques pra o peso do cover de Brian Eno em Third Uncle, a insana Silent Hedge, a catarse teatral de Spirito épico progressivo em três partes The Three Shadows, a melancolia ao violão de All We Ever Wanted Was Everthing e a experimental Exquisite Corpse


O single de Ziggy Stardust, lançado no mesmo ano, foi o maior sucesso comercial do grupo. O cover de David Bowie traduzia o que o Bauhaus chamava de "Dark-Glam".




Em "Burning from the Inside", lançado em 1983, as experimentações prosseguiram. Mas o grupo já demonstrava sinais de esgotamento. O fim da banda era iminente e inevitável e, de certa forma, isso refletia na musica. Independente disso, o disco tem ótimos momentos e merece atenção. Destaque para as inesquecíveis She's in Parties Antonin ArtaudWho Killed Mr.Moonlight? (na voz de David J) e Slice of Life (na voz de Daniel Ash). 

Dizem que o estopim da separação do Bauhaus foi a participação do grupo no filme "The Hunger" (Fome de Viver). Peter Murphy se tornou o centro das atenções à custa dos outros membros, que foram praticamente excluídos da cena em que participam. Existem muitas especulações em torno do término da banda - inclusive dois livros abordam esse tema: a biografia "Dark Entries", de Ian Shirley e "Who Killed Mister Moonlight?", escrito pelo ex-baixista David J. Mas não nos interessa aqui discutir os motivos do término da banda, talvez apenas lamentar...

Com o dissolvimento do Bauhaus, todos seguiram outros projetos, dos quais faremos um apanhado geral:


O Tones on Tail, formado em 1982, inicialmente era um projeto paralelo de Daniel Ash com seu amigo e rodie do Bauhaus, Glenn Campling. Com o fim do Bauhaus, o baterista Kevin Haskins juntou-se ao grupo. Lançaram apenas um álbum: Pop (1984) e alguns compactos.
Com muitas musicas instrumentais, o som do grupo é uma mistura de Post Punk, Pop Rock, Rock Alternativo e alguns flertes com o Rockabilly. Um crítico os definiu com maestria: "Doom-and-dance-pop". Com apelo dançante e mantendo em algumas faixas a atmosfera dark do Bauhaus, é um grupo bastante apreciado pelos darks e góticos.
Destaques para o hit Post Punk Go e outras musicas como Performance, Burning Skies e Lions.



Em 1985, após o termino do Tones on Tail, Daniel Ash, Kevin Haskins e David J. criaram o Love and Rockets. O grupo afastou-se progressivamente dos temas obscuros e do Post Punk, ficando mais acessível ao grande público.
O som também é diversificado, fundindo Rock Alternativo e Psicodelia com elementos da musica pop (os ultimos lançamentos também apresentam uma sonoridade mais eletrônica). O resultado foi uma melodia envolvente, popularidade entre os "indies" da época e sucesso comercial. Lançaram sete álbuns e vários singles.
Destaque para o sucesso So Alive e outras musicas como Ball of ConfusionKundalini Express e 
No New Tale To Tell.




O Dalis Car foi formado em 1984, por Peter Murphy e Mick Karn (ex integrante do grupo Japan). Lançaram apenas um disco:
The Waking Hour (1984). A base do som é constituída por teclado e baixo e apresenta um forte apelo experimental. Após anos de hiato, a dupla ainda lançou um EP em 2012, no ultimo suspiro do Dalis Car.
Destaques: The Judgement Is The MirrorCornwall Stone, Create and Melt e Sound Cloud.




Daniel Ash, David e Kevin dando um rolê e fazendo um som pela cidade, vestidos de... abelhas (???).
 Esse foi o The Bubblemen - "projeto paralelo" do Love & Rockets. Lançaram 1 single em 1988.


Após a aventura experimental do Dalis Car, Peter Murphy lançou-se em carreira solo e alcançou o mesmo sucesso comercial de seus ex-companheiros de Bauhaus. Até o momento foram 10 discos lançados e alguns reconhecidos sucessos, como: All Night Long, Indigo EyesCuts You Up A Strange Kind of Love.
É importante ainda destacar a pouco comentada carreira solo de Daniel Ash. Com 3 discos lançados, ele explora novos horizontes, como a Chill Out, o Dreampop e nuances eletrônicas, fazendo uma música que esbanja sensualidade. David J também traçou uma interessante carreira solo, explorando o jazz e outros ritmos intimistas, com colaboração de varios artistas como a pianista Jill Tracy e o quadrinista Alan Moore.




Durante a "hibernação" do Bauhaus, o grupo até chegou a se reunir algumas vezes, mas sem lançar nada novo. Em 1999 houve uma aguardada turnê registrada no DVD Gotham. Mas após 25 anos sem inéditas, o Bauhaus novamente se reuniu para lançar Go Away White, em 2008. O disco comprovou que o grupo ainda tinha fôlego. Apesar de distantes do Post Punk, apresentam um som renovado e moderno. É um disco de Rock cru, direto e bem executado por musicos experientes. Destaques: Adrenaline, Endless Summer of the Damned, Black Stone Heart e The Dog's A Vapour.

Ainda que, com frequência, tenham rejeitado a "pecha" de góticos, é inegável que o Bauhaus esteve profundamente imerso nesse universo e sejam considerados um dos "pais" do estilo. A sonoridade, o visual e a performance serviram de base propulsora para muitas bandas que surgiriam a seguir e também de inspiração para um emergente publico que consolidaria a identidade da moderna Subcultura Gótica.

Matéria: Guilherme Freon
4AD - Site
Dark Entries - Livro
Goth Chic - Livro
Post-Punk.com - Site
Wikipedia - Site
Arquivo Pessoal Freon



ÁLBUNS DISPONÍVEIS:



 

sábado, 18 de julho de 2015

CLAN OF XYMOX


Clan of Xymox é um grupo que, em sua longa trajetória, resume tudo que o gótico foi um dia e é atualmente. Difícil definir o grupo de uma só forma, são muitas fases e várias transformações. Pioneiro da chamada Darkwave, esteve na vanguarda nos anos 80, experimentou, ousou e manteve-se na ativa durante todos os anos 90 e 2000 e segue até hoje, com vasta discografia e influenciando grupos pelo mundo todo.


O grupo foi formado em Nijmegen, na Holanda, no início dos anos 80. A formação inicial contava com Ronny Moorings (vocais e guitarra), Anke Wolbert (baixo e teclados) e, mais tarde, Pieter Nooten (teclados). Inspirados pela New Wave Alemã, o Post Punk britânico e o espírito "do it yourself" do Punk, lançaram de forma independente o primeiro EP, Subsequent Pleasures (1983).

Com uma tiragem limitada de 500 cópias (grande parte auto destruída pela própria banda, descontentes com o resultado), apresentava musicas ainda cruas, um tanto confusas e mal executadas, mas com um potencial que se revelaria completamente nos álbuns seguintes. Atualmente, esse EP é um item raro e considerado por muitos um clássico da Minimal Wave. Esse disco foi relançado em CD em 1994.

Vídeo Não-Oficial.
Essa faixa - a unica cantada por Anke nesse EP - resume o Xymox no início de carreira: um minimalismo hipnótico, psicodélico e amador.
Após esse EP, o grupo foi "descoberto" e assinou contrato com o conceituado selo alternativo 4AD Records. Esse foi um período de intensa criatividade musical, a banda tocava com frequência nos clubes, tornou-se "cult" entre os alternativos da Europa e lançou dois álbuns considerados essenciais para o lado mais escuro do Post Punk e, principalmente, para discografia de qualquer gótico.

Pieter, Anke e Ronny. Ao fundo está Frank Weyzig (teclados e guitarra) que mesmo não sendo um dos protagonistas, foi o "quarto membro" da banda durante os anos 80. É dele o inesquecível solo de guitarra em "Cry in the Wind". Também escreveu uma musica, "Move the Glass", tocada em alguns shows, mas que nunca chegou a ser gravada, tornando-se um item raro para colecionadores. Após deixar a banda, ele montaria o Born For Bliss.


O álbum de estreia - "Clan of Xymox" (1985) - captava todas as vibrações góticas que estavam em voga naqueles anos. Dançante e introspectivo, apresenta o clima melancolicamente romântico característico do grupo. Contem hits que todo gótico que se preze já ouviu nas pistas, como "Stranger" e "A Day", dentre outras faixas marcantes, como a emocionante "Cry in the Wind" e a romântica "No Words". Mesmo Ronny compondo e cantando a maioria das canções, Anke e Pieter também colaboravam, como em "7th Time" (na voz de Anke) e "Equal Ways" (na voz de Pieter). Perfeito!


O segundo álbum - "Medusa" (1986) - é considerado por muitos góticos como um dos discos mais representativos da historia da subcultura. O clima "dark" do álbum de estreia é aprofundado e as canções estão mais atmosféricas e sombrias. Contém os hinos góticos "Louise" e "Back Door", belos temas instrumentais, como "Theme II", além de outras preciosidades, como "Medusa", "Masquerade" (na voz de Anke) e "After the Call" (na voz de Pieter). Um trabalho que traduz o "spirit of life" do gotico dos anos 80. Esse disco resume o que o gótico poderia ter sido: elegante, simples e sombrio, sem soar forçado (o oposto de muito que vemos hoje). Obrigatório!


Vídeoclipe clássico de Muscovite Musquito, música do primeiro EP regravada para a coletânea da 4AD "Lonely Is an Eyesore", de 1987.

Ronny, Pieter e Anke - O auge criativo do Clan of Xymox.

Após o Medusa, o grupo tornou-se cada vez mais conceituado no circuito alternativo e assinou com a gravadora Wing, um braço da gigante Polygram. O nome foi encurtado pra Xymox e eles lançaram o álbum mais bem sucedido comercialmente da carreira: "Twist of Shadows" (1989), que vendeu cerca de 300 mil cópias. Os singles "Obsession", "Blind Hearts" e "Imagination", fizeram a banda ser conhecida nos EUA e alcançaram as paradas da Billboard. Esse disco pode ser considerado um divisor de águas na carreira da banda. Ainda existiam alguns elementos característicos do gótico, mas diluídos em uma atmosfera cada vez mais "pop". Considerado por muitos o melhor trabalho do grupo, Twist of Shadows foi a porta de entrada para uma grande mudança no Xymox.
Importante colocar que, após esse álbum, a formação original começou a se desfazer, fato que muitos atribuem como determinante para uma - assim vista por muitos - queda de criatividade e qualidade que viria a seguir. Por mais que Ronny frequentemente diga nas entrevistas que era o único responsável pelo som do Xymox, é inegável a enorme contribuição que Pieter e Anke traziam ao grupo. Tanto que após a saída de ambos, aquela sonoridade nunca fora recuperada. Os dois seguiram carreira solo. Pieter chegou a lançar um disco muito considerado para a Ambient Music: "Sleeps With The Fishes", pela 4AD.


No início da década de 1990, a sonoridade "oitentista" estava definitivamente "datada". O grunge e a rave dominavam os clubes. Logo, possivelmente pressionado por já estar inserido no "mainstream", o Xymox mudou totalmente a sonoridade, tornando-se menos "dark", mais comercial e abraçando elementos da emergente cena dance e rave da ocasião.
Três álbuns foram lançados com essas "experimentações": "Phoenix" (1991) - o ultimo com Pieter, Anke e também na Wing Records - "Metamorphosis" (1992) e "Headclouds" (1993). De fato, são albuns destoantes na carreira do Xymox. Parece outra banda, até o visual está totalmente diferente (em alguns momentos chega a ser vergonhoso). Apesar de esparsos bons momentos, se a intenção é conhecer um ícone da Darkwave, fuja! Somente para colecionadores.


Vídeo de Spiritual High, do álbum Headclouds, com a participação da ainda desconhecida Mojca.





Ronny e Mojca - o casal goth entra em cena.
Mojca Zugna, esposa de Ronny, entra para a banda nesse meio tempo de indefinições e a partir de então, os dois passam a ser os únicos membros fixos de constantes formações que viriam a seguir.


Em 1997, afastam-se do mainstream e retornam ao "dark" com "Hidden Faces". O nome é inspirado no romance de Salvador Dalí. O tom das letras é de decepção e descontentamento e algumas faixas parecem fazer referência - sempre em tom negativo - ao período "comercial" do grupo. É um disco variado, que começa a definir uma nova sonoridade pro grupo. A partir desse lançamento, assumem-se como góticos e tornam-se headliners dos principais festivais do gênero, como a Wave Gotik Treffen e o Zillo. Destaque para "This World", "Out of Rain", a oriunda do primeiro EP e repaginada "Going Round 97", o quase Ethereal "November", o Synth Pop de "It's All A Lie" e "Hypocrite", a unica musica escrita por Mojca.


Em 1999, lançam "Creatures", agora com uma sonoridade totalmente Gothic Rock. Definitivamente o CoX era uma banda gótica produzindo música para góticos. E os góticos que já adoravam o Xymox da fase 4AD - mas passaram um bom tempo desiludidos devido a fase pop/dance - incluíram de vez o grupo em sua lista de favoritos. Nesse mesmo ano, fazem show memorável no Brasil (tocaram aqui também em 2006 e 2012). Creatures é um álbum homogêneo. A poesia romântica e existencial predomina nas letras. Destaque para a aula de Gothic Rock em "Jasmine and Rose" e "Crucified", as lentas e envolventes "Consolation" e "Creature", a doce "Falling Down" e o fantasmagórico tema instrumental "Without A Name" (com programação de Adrian Hates do Diary of Dreams).



Anuncio do primeiro show do Clan no Brasil, em 1999 (Folha de S.Paulo):


Abordando temas como a inocência do amor e a inevitabilidade das desilusões, "Notes from the Underground" (2001) é um disco variado: apresenta as sobras do Gothic Rock do álbum anterior ("I Want You Now"), flerta com o Rock Industrial ("Innocent") e começa a explorar o Electro Goth que caracterizaria as produções posteriores da banda ("The Same Dream" - com os belos vocais de apoio de Sonja Rozenblum). As musicas percorrem um labirinto musical, cheias de ruídos e mudanças de ritmos (um bom exemplo é "The Bitter Sweet"). Também destaco o Post Punk de "Something Wrong" (com a melhor introdução da discografia da banda) e a deliciosamente depressiva "Internal Darkness" 


Na sequência, temos o lançamento de Farewell" (2003). O grupo consolida sua nova sonoridade, o chamado Electro Goth (Dark Electro-Goth, segundo Ronny). A musica está mais eletrônica, rápida e pesada, pronta para as pistas. As guitarras ainda estão presentes, permeando o clima épico-sombrio do disco. As letras dissertam sobre tristezas, rompimentos e despedidas (o nome do disco e as temáticas, geraram alguns boatos de que seria o ultimo álbum do grupo). Destaque para o primor Electro Goth da sequência inicial, com "Farewell", "Cold Damp Day" e "There's No Tomorrow", a levada goth pop de "Into Extremes", a enérgica "Courageous" e a existencialista "Skindeep".



Turnê do Farewell em São Paulo, na saudosa Thorns Gothic Rave, em 2006:



"Breaking Point" (2006) é a continuação natural do álbum anterior, com poucas diferenças. Um pouco mais introspectivo, as guitarras aparecem cada vez menos e nota-se uma atmosfera mais leve. Destaque para a faixa de abertura "Weak In My Knees", a desesperada crítica a cena gótica em "Calling You Out", a reflexiva "We Never Learn", a contagiante "Be My Friend", a faixa instrumental "Pandora Box" e a oitentista "What's Going On".





Após algum tempo longe dos holofotes, a banda retorna com  "In Love We Trust" (2009). O disco é bem produzido e traz modernidade ao novo Electro Goth do grupo. Destaque para a candidata a novo hit "Emily", as inspiradíssimas "In Love We Trust" e "Home Sweet Home", a melancólica "Morning Glow" e as dançantes "Desdemona" e "Love Got Lost".






"Darkest Hour"(2011) mantém a boa produção do álbum anterior, mas aprofunda-se em climas densos e obscuros. Contem musicas com uma saudosa atmosfera dark como "My Reality", "Deep Down I Died" e "In Your Arms Again". Como de costume, esse disco também mescla faixas mais agitadas como "Delete" e outras mais lentas como "Dream of Fools", além de resgastar as habituais faixas instrumentais, em "Darkest Hour".





E o grupo segue na ativa. Em 2014, lançaram Matters of Mind, Body and Soul. Esse disco inova em relação aos últimos lançamentos. Aqui, arrisco dizer que houve mais uma mudança na sonoridade do grupo: O foco não é o Electro-Goth, mas sim o Synth Pop. O ritmos estão mais lentos e exalam sensualidade e melancolia, mas sem perder a pegada dançante. Muitos estranharam esse registro, acusando-o de ser "arrastado" e "maçante" (a introdução de 7 minutos colabora para essa impressão), mas a verdade é que esse álbum requer um certo tempo para ser digerido. Após algumas audições é inegável perceber a qualidade e o potencial das canções. Destaques: She Is Falling in LoveHand in Glove, Love's on Diet, I'll Let You Go, Months Ago e Kiss and Tell.


Darkwave, Gothic Rock, Electro Goth... Clan of Xymox é uma banda singular que passeou com desenvoltura por quase todos estilos relacionados ao gótico. A combinação das batidas eletrônicas, guitarras e vocais melancólicos se tornou um cult nos anos 80, essencial pra entender o clima daqueles anos. O ressurgimento no final dos anos 90, agora totalmente imersos na Subcultura Gótica, os colocou como um dos grandes nomes da Darkwave mundial.


Como a discografia é extensa e nossa intenção é fazer um apanhado geral com o essencial do gótico, selecionamos os dois primeiros álbuns - que consideramos obrigatórios - além de uma coletânea. Apesar de existir um "Best Of" oficial do grupo, fizemos nossa própria seleção, um pouco maior e com um apanhado geral de todos os discos.


Matéria: Guilherme Freon
4AD - Site
Clan of Xymox - Site
Unhur - Site
Arquivo Pessoal Freon



ÁLBUNS DISPONÍVEIS: